Quanto cobrar por um projeto de arquitetura: 4 formas de calcular honorários
Por metro quadrado, percentual da obra, hora técnica ou valor por etapa: como cada forma de cobrança funciona, quando usar e um passo a passo para chegar no seu valor.
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Definir o preço de um projeto é uma das decisões que mais pesam no resultado de um escritório de arquitetura, e uma das que mais costumam ser feitas no chute. Cobra-se o que o colega cobra, o que o cliente parece aceitar ou o que deu certo no último projeto. O problema aparece meses depois, quando o projeto consumiu o dobro das horas previstas e o dinheiro não fechou.
Não existe um número único que sirva para todo escritório. Existe um método. Este guia mostra as quatro formas mais usadas de calcular honorários, quando cada uma faz sentido e como chegar no seu valor a partir do custo real do seu escritório.
As 4 formas mais comuns de cobrar
1. Por metro quadrado
É a forma mais fácil de explicar ao cliente: um valor multiplicado pela área do projeto. Funciona bem para projetos parecidos entre si, como residências de padrão semelhante, em que a área é uma boa medida do esforço.
O cuidado é que área não mede complexidade. Um apartamento de 80 m² com marcenaria toda desenhada pode dar mais trabalho que uma casa de 200 m² simples. Quem cobra só por m² precisa ajustar o valor por padrão e complexidade, ou vai perder dinheiro justamente nos projetos mais difíceis.
2. Percentual sobre o custo da obra
O honorário é uma porcentagem do custo estimado da construção. É também o princípio da Tabela de Honorários de referência do CAU, que considera o custo estimado da obra e a complexidade do projeto. Antes de usar, consulte a versão vigente da tabela no site do CAU/BR.
A vantagem é acompanhar o porte do empreendimento. A desvantagem é depender de uma estimativa de custo que o cliente nem sempre tem, e que pode mudar bastante entre o estudo preliminar e o executivo.
3. Hora técnica
O valor sai do número de horas que o projeto vai consumir multiplicado pelo preço da sua hora. É a forma mais justa para trabalhos difíceis de prever, como consultorias, laudos, acompanhamento de obra e alterações fora do escopo.
Para o cliente, uma conta em horas pode parecer aberta demais. Por isso muitos escritórios usam a hora técnica para calcular e apresentam ao cliente um valor fechado.
4. Valor fixo por etapa
O projeto é dividido nas fases de sempre (levantamento, estudo preliminar, anteprojeto, projeto executivo e acompanhamento de obra) e cada fase tem seu preço. O cliente paga conforme as etapas são entregues.
Essa forma organiza o fluxo de caixa do escritório e deixa claro o que está incluído em cada fase. Se o cliente desistir no meio, o que foi entregue já está pago.
Passo a passo para chegar no seu valor
Qualquer que seja a forma de apresentar o preço, a base precisa ser o custo do seu escritório. É ele que diz se um projeto dá lucro ou prejuízo.
1. Some o custo mensal do escritório
Inclua tudo o que o escritório gasta por mês para existir: aluguel ou coworking, licenças de software, contador, internet, equipamentos, transporte e, principalmente, o seu pró-labore. Arquiteto que não coloca o próprio salário na conta trabalha de graça sem perceber.
2. Descubra quantas horas por mês são de projeto
Nem toda hora trabalhada é hora de projeto. Reunião comercial, proposta, cobrança, visita de prospecção e administração consomem uma parte grande do mês. Um escritório pequeno costuma ter bem menos horas produtivas do que horas trabalhadas.
3. Calcule o custo da sua hora
Divida o custo mensal pelas horas produtivas. Esse é o mínimo que cada hora de projeto precisa render para o escritório empatar.
4. Acrescente margem e impostos
Sobre o custo da hora, some a margem de lucro e os impostos que incidem sobre o que você fatura. A alíquota depende do regime tributário e do faturamento; confirme com o seu contador. Inclua também custos do próprio projeto, como o RRT e deslocamentos.
5. Estime as horas do projeto
Use projetos anteriores parecidos como referência. É aqui que registrar o tempo gasto em cada projeto faz diferença: sem histórico, a estimativa vira palpite.
Um exemplo com números
Os números abaixo são ilustrativos, só para mostrar a conta. Use os do seu escritório.
- Custo mensal do escritório, com pró-labore: R$ 12.000
- Horas produtivas de projeto por mês: 120
- Custo da hora: R$ 12.000 ÷ 120 = R$ 100
- Com 30% de margem: R$ 130 por hora
- Considerando 10% de impostos sobre o faturamento: R$ 130 ÷ 0,90 ≈ R$ 144 por hora
- Projeto residencial de 150 m², estimado em 180 horas: 180 × R$ 144 ≈ R$ 26.000
Com esse valor em mãos, dá para conferir com as outras formas. R$ 26.000 em 150 m² equivalem a cerca de R$ 173 por m². Se esse número estiver muito abaixo do que o mercado da sua cidade pratica, talvez você esteja subestimando as horas. Se estiver muito acima, vale rever o custo fixo ou a estimativa.
5 erros que derrubam a margem
- Deixar o pró-labore fora da conta. O lucro aparente some quando você percebe que não se pagou.
- Não limitar o número de revisões. Proposta sem limite de alterações vira projeto sem fim. Defina quantas revisões estão incluídas em cada etapa.
- Esquecer o que não é projeto. Reuniões, visitas e aprovação na prefeitura consomem horas que precisam estar no preço.
- Cobrar tudo no fim. Parcelar por etapa protege o caixa e reduz o risco de calote.
- Não comparar o previsto com o realizado. Sem medir quantas horas cada projeto consumiu de fato, o erro de estimativa se repete na proposta seguinte.
Proposta enviada é só metade do trabalho
Calcular bem o honorário não adianta se a proposta fica parada sem retorno. Uma parte grande dos projetos não se perde pelo preço: se perde porque ninguém voltou a falar com o cliente na semana certa.
Registrar cada proposta com valor, etapa e data de envio, e ter um lembrete de quando cobrar retorno, é o que separa o escritório que fecha do escritório que espera.